A missão de Deus.
O desejo de Deus é que seu amor se manifeste em cada espaço e criatura deste mundo, que foi afetado pela pecado e almeja pela Sua redenção (Ro 8. 19-13). O ser humano, criado a imagem e semelhança, está incluido em Seus planos de vida. Deus demonstrou Seu amor por nós quando ainda éramos pecadores e enviou Seu filho para dar-nos vida (Ro 5.8; Jo 16-17). Seu amor nos compromete a colaborar com Ele em Seu propósito de redenção.
A missão do Deus trino é revelada em Jesus Cristo e impulsionada pelo Espírito Santo.
Jesus de Nazaré é nosso modelo. Suas opções de vida, seus ensinamentos, seus gestos e suas obras são parte de sua missão salvadora. Sua opção galiléia mostra a vontade de Deus de salvar o mundo dando prioridade aos excluídos. Em perfeita harmonia com o Pai e o Filho, o Espírito Santo realiza Sua missão de instaurar o Reino e nos chama a participar “em nome de Jesus”.
A missão cristã é necessariamente integral.
O ser humano é uma unidade indivisível. Portanto, as necessidades do corpo não são alheias às da alma e vice-versa. A redenção em Cristo inclue a ressurreição do corpo (I Co 15). Biblicamente, não há lugar para a dicotomia corpo e alma, vida privada – vida social, necessidade espiritual – necessidade material, razão – emoção. Não é possível satisfazer as necessidades da alma e desconhecer as do corpo (Tg 2. 14-17). A missão cristã é tanto espiritual como material, é social como pessoal. Só estará em correspondência com o planejar do Espirito se discernir o senhorio de Jesus Cristo sobre a totalidade da criação.
A missão integral é social visto que o ser humano também o é.
É impossível falar de sociedade e igreja como se fossem entidades totalmente diferentes. Afinal, a igreja é parte da sociedade e sua missão tem, consequentemente, uma dimensão social. A pergunta não é se a igreja tem ou não uma missão social, mas como ela se relaciona com a sociedade. A indiferença da igreja frente aos problemas sociais não é neutra nem inocente, mas agressiva e prejudicial. Criados em comunidade, os cristãos fazem suas as necessidades do próximo e, como “sal da terra” e “luz do mundo”, participam ativamente da vida pública. Sem perder sua identidade, vivem e proclamam a boa notícia a cerca de Jesus Cristo e convidam o mundo a se aproximar do Deus da vida.
A missão integral é eclesiástica já que a missão de uma comunidade de fé se entende como “signo”.
A missão cristã se origina no coração de Deus. A igreja se entende como uma comunidade formada por seres redimidos em Jesus Cristo, uma comunidade de fé em que transparece a presença reconciliadora de Deus. Como seu Senhor, vive e anuncia as boas notícias que vão desde suas opções de vida, a existência comunitária, Suas obras até Seus ensinamentos. Como seu Senhor, aprende a amar a diversidade e expressa seu amor em protestos pela paz, a não discriminação e a justiça. A missão, desde o amor ao próximo (I Jo 3. 14, 4. 21), convida todos a fazer parte do corpo de Jesus Cristo, um corpo que extende seus braços em todo o tempo a todos os seres humanos.
A missão integral é tanto profética como crítica ao sistema do mundo.
Viver e anunciar as boas notícias em um mundo de violência, injustiça e exclusão implica em denunciar o pecado individual e sócio-cultural. Para isso a comunidade de fé precisa desenvolver discernimento para compreender os mecanismos de morte nas estruturas sócio econômicas, nos mandamentos culturais e também nas perspectivas teológicas que atentam contra a vida anunciada por Jesus Cristo. A igreja que ama aos que sofrem não pode guardar silêncio: tem que falar impelida pelo Espírito (Jn 14.26, Ap 1. 9-10). Ela sabe que amar implica em comprometer-se com o processo de mudança até que a justiça e paz sejam alcançadas, com plena conciência de que os inimigos do reino atuarão contra ela (Mt 10.24). Mas, ela também sabe que o anúncio profético trará como fruto a vida e o goso do Reino.
A missão integral apela à vida para um mundo de justiça, liberdade, paz e amor.
A missão é integral porque busca amar a criação tal qual Deus ama. A vida no reino não é meramente “sair do Egito”, nem “habitar na terra prometida”. A missão integral propõe a justiça, a liberdade e a paz como situações que precisam existir mutuamente. A missão vive e proclama o amor cristão e a paz (shalom) como normas e condições de vida. Consequentemente, a missão que quer entender-se como integral não se deterá na busca de soluções aos conflitos sem que mais a frente gere propostas de vida a partir de sua prática, a fim de persuadir os outros, por meio do amor, a abandonar a morte e optar pela vida plena no Reino.
escrito por René Padilla
traduzido pro gustavo nering, revisado por stheffany chang
